Para começar, nada melhor do que fazer uma review a um álbum, e que álbum poderia ser esse, não fosse a banda…
Isso mesmo, Red Hot Chili Peppers, uma das minhas bandas preferidas. Primeiro que tudo, uma pequena introdução da banda….
Os Red Hot Chili Peppers surgiram em 1983, fruto da união de 4 amigos da faculdade, Jack Irons (baterista), Michael Balzary , mais conhecido por “Flea” (baixista), Hillel Slovak (guitarrista), e por fim, Anthony Kiedis (vocalista). Quando se lançaram no mundo da música, eram muito diferentes do que são agora. Com um funk rock bastante influenciado por músicos como Jimi Hendrix, os RHCP eram literalmente “loucos”. Desde tocarem praticamente nus nos concertos, a falarem de tudo e mais alguma coisa nas suas músicas. E é à volta disso que os 3 primeiros álbuns da banda falam: sexo, drogas, e etc. Com “The Uplift Mofo Party Plan” a ser o primeiro álbum da banda a destacar-se.
No entanto, Hillel Slovak faleceu, em 1988, devido a uma overdose, o que levou ao Jack Irons a abandonar a banda. Kiedis e Flea estavam também com problemas de drogas, mas mantiveram-se na banda, contratando para baterista Chad Smith, e para guitarrista, um jovem de 18 anos que era um fã da banda, chamado John Frusciante. Estava assim formada a banda que por aí anda hoje. O primeiro trabalho trabalho desta nova banda foi “Mother’s Milk” em 1989, que é ligeiramente mais rock do que o último trabalho da formação original. No entanto, era o próximo álbum que definiria o sucesso da banda…
Em 1991, surge Blood Sugar Sex Magik. Na minha opinião, o melhor álbum da banda. Neste álbum, a banda não deixa a atitude “louca” que sempre a caracterizou, mas ainda assim, mostra-se mais madura do que antes, tanto a nível da sonoridade, como das letras, que deixam de se limitar apenas ao sexo e ás drogas, e passam a ser mais sentimentais (não todas). Toda uma mistura de estilos, e uma boa sequência entre as 17 músicas que constituem o álbum, fazem deste um dos melhores álbuns de sempre (e não, não estou a exagerar).
O álbum começa com um ritmo frenético, com “Power of Equality”. E que melhor música para abrir o álbum. Com uma sonoridade característica dos Red Hot Chili Peppers, a música tem também uma letra bastante boa, criticando o racismo, e incentivando a luta contra tal. Destaque ainda para Flea, que está em grande durante toda música.Um dos pontos altos do álbum, sem dúvida.
Nota: 9.5/10
De seguida vem “If You Have to Ask”, uma música bastante mais calma que a primeira, mas que não deixa o estilo funk do álbum. A guitarra de Frusciante está impecável durante toda a música, culminando com um dos melhores solos que o guitarrista vez na banda, dando um bom uso ao wah. Os aplausos das pessoas que se encontravam no estúdio podem ser ouvidos após o final do solo de Frusciante. Grande música, quase ao nível da primeira.
Nota: 9/10
Para completar o trio introdutório, temos a primeira balada do álbum, que foi o 3º single do álbum. “Breaking the Girl” fala da relação de Anthony Kiedis com Carmen Hawk, e apesar de não estar ao nível de nhuma das duas anteriores, não deixa de ser uma música bastante agradável de se ouvir. No videoclip da música, não se encontra John Frusciante, mas sim Arik Marshal, que tinha substituído Frusciante, devido ao facto deste ter abandonado a banda durante a torunée do álbum, em 1992.
Nota: 8/10
De seguida, temos “Funky Monks”, em que o riff inicial na guitarra acústica é espectacular. Com um ritmo agradável, e com um nome e letra que caracterizam na perfeição os Chili Peppers, naquela altura. Acaba com um bom solo de baixo por parte de Flea.
Nota: 8.5/10
“Suck My Kiss” é outro ponto alto do álbum. Outra música funk, tal como asa outras, mas com um ar um pouco mais pesado, devido ao baixo de Flea nesta música. É das músicas mais conhecidas dos Red Hot, e foi o 4º single da banda. O carácter agressivo não está só na música em si, mas também na letra, (a música era para se chamar “Suck My Dick”)
Nota: 9.5/10
Ao acabar “Suck My Kiss”, “I could have Lied” contrasta com a música, especialmente por ser das melhores baladas de sempre da banda. Com uma letra espectacular, e com um solo fenomenal de John Frusciante, é sem dúvida das melhores músicas do álbum.
Nota: 9.5/10
“Mellowship Slinky in “B” Major” surge na ressaca de “I could have lied”. É batsante diferente da anterior, mas bastante boa, também.
Nota: 8.5/10
A música que se segue, “Righteous and the wicked”, contrasta com a anterior, não por ser mais calma, mas por ter um ritmo muito menos acelerado. Quem ouvir o início da música a seguir a ter ouvido a Mellowship, percebe o que eu quero dizer.
Nota: 8/10
Em nono, vem provavelmente a música mais conhecida de sempre da banda. “Give it Away” é uma grande, grande música, mesmo com direito a nota máxima. O nome “give it away” surgiu quando Kiedis estava tão entusiasmado em ouvir Flea no baixo, que começava a dizer sem parar “give it away, give it away, give it away now”. A letra, apesar de ser difícil de perceber ao início, fala de diversos temas, desde drogas, ou sexo, passando até por críticas ao materialismo e consumismo, e referências ao actor River Phoenix e a Bob Marley (“keep your more to receive your less”). O riff da música, segundo John Frusciante, foi inspirado em “Sweet Leaf” dos Black Sabbath. A música foi o primeiro single do álbum, e chegou mesmo a receber um grammy em 1992.
Nota: 10/10
“Blood Sugar Sex Magik” é a faixa que dá nome ao álbum, e uma das melhores. Com um riff poderoso, é menos funk do que as outras, e é mais pesada, mais rock. A letra retrata o sexo com várias metáforas. Apesar de nunca ter sido single, a música chegou a ser tocada bastantes vezes ao vivo, e a passar em algumas estações de rádio.
Nota: 9/10
“Under the Bridge” é a obra-prima dos Red Hot Chili Peppers. A minha música preferida deles, e uma das minhas preferidas de sempre. É sem qual quer dúvida, a maior balada de sempre deles na minha opinião. O riff inicial é lindo, e a letra é também a melhor que Kiedis fez até agora (se tiverem chateados com alguma coisa, oiçam a música, e tenham em atenção a letra). Destaque também para a guitarra de Frusciante, que mesmo sem nenhum solo, está espectacular ao longo de toda a música. Foi o segundo single do álbum.
Nota: 10/10
“Naked in the rain”. Quando vi o nome desta música, parti-me a rir. É uma (muito) boa música, mais ao estilo do álbum anterior. Lá para o meio tem mais um fantástico solo de baixo de Flea.
Nota: 8.5/10
De seguida, temos “Apache Rose Peacock”, em que a banda fala de como adora New Orleans de uma maneira no mínimo, estranha (é o poder das drogas…). O instrumental é excelente, desde a guitarra de Frusciante a trompete. Gosto bastante desta música, não a conhecia antes de ouvir o álbum (já tinha ouvido algumas músicas soltas), e tornou-se logo numa das minhas preferidas.
Nota: 9/10
“The Greeting Song” é a música mais curta do álbum, mas ainda assim, não fica atrás das outras. Tal como “Blood Sugar Sex Magik”, é das que mais se afasta do estilo funk, e é mais rock, tendo um estilo mais rápido. Acaba também por ser também uma transição para a próxima música.
Nota: 8.5/10
Em Mother’s Milk, tínhamos “Knock me down”, em dedicatória ao falecido ex-guitarrista Hillel Slovak. “My lovely man” é música dedicada a Slovak em Blood Sugar Sex Magik. Gosto bastante da música, a letra é bastante boa, e o solo de John Frusciante, apesar de um pouco esquisito, é bem fixe.
Nota: 8.5/10
“Sir Psycho Sexy” é a música mais longa tanto do álbum, como dos Red Hot Chili Peppers, com mais de 8 minutos. A letra é do mais que perverso que há, mesmo dentro do universo dos Red Hot Chili Peppers. Sir Psycho Sexy é suposto ser nada mais nada menos que o vocalista da banda: Anthony Kiedis, pelo que durante toda a música ele faz um auto-retrato, bastante exagerado como é óbvio. Só para terem uma pequena ideia do conteúdo da música, podem ler:
Deep inside the Garden of EdenStanding there with my hard on bleedin'There's a devil in my dick and some demons in my semenGood God no that would be treasonBelieve me Eve she gave me good reasonBooty lookin' too good not to be squeezin'Creamy beaver hotter than a feverI'm a givin' 'cause she's the receiverI won't and I don't hang up until I please herMakin' her feel like an over achieverI take it away for a minute just to tease herThen I give it back a little bit deeper A música em si é calma, com uma batida funk, e com um wah poderoso de Frusciante a predominar durante toda a música.Nota: 8.5/10 “They’re Red Hot” é original de Robert Johnson (confesso que ainda não a ouvi). Mas que no contexto deste álbum, é a ramboiada total, para finalizar o álbum. Não tem muito que se lhe diga, visto que mal se percebe o que Kiedis diz, e que tem pouco mais de um minuto de duração. Nota: 7.5/10
Para concluir, só falta dizer (mais uma vez) que é um grande álbum. Tanto a falta de profissionalismo na produção (diz-se que a banda se fechou durante meses numa mansão que serviu de estúdio para a gravação do álbum) como a maneira como todas as músicas se inter-relacionam entre si, e dão seguimento umas às outras, fazem de Blood Sugar Sex Magic uma obra-prima.
Nota final: 9/10
Em baixo têm o link para download do álbum, tirado do Albumbase.com
http://rapidshare.com/files/16577387/RHCPeppersBloodSSMagik.rar
No entanto, pode-se dizer que a partir daqui, foi sempre a descer:
Após o lançamento, John Frusciante abandonou a banda por problemas com as drogas (que os outros membros da banda também tinham) e regressou em 1999, onde se juntou à banda para o lançamento de Californication. E se Californication foi um bom álbum, apesar de ter um estilo completamente diferente do que os Red Hot Chili Peppers, os dois álbuns que se seguiram, têm o mesmo estilo, tornam-se repetitivos. Os Red Hot Chili Peppers loucos acabaram. Se em Californication tínhamos um som mais limpo e mais maduro, devido aos membros da banda estarem mais “atinados”, e de terem deixado definitivamente as drogas, os álbuns By The Way (2002) e Stadium Arcadium (2006), são a imagem da banda a vender-se completamente à cultra MTV, e ao comercialismo. É tudo a mesma coisa, muito repetitivo, e o que me entristece, é que é isso que hoje em dia vende.
Cumprimentos a todos.


3 comentários:
Bom review. No entanto, permite-me discordar quando dizes que Blood Sugar Sex Magik é um dos melhores álbuns de sempre. Não acho que os Red Hot Chili Peppers alguma vez tenham produzido algo que possa ser colocado em tão alta estima, pelo menos no meu modo de ver as coisas.
Não quer isto dizer que o álbum seja mau; pelo contrário, considero-o um trabalho bastante bem conseguido. É talvez o pico dos Chili Peppers, embora eu também aprecie bastante o Californication. Talvez os fãs mais acérrimos da banda considerem isto heresia, uma vez que se nota claramente, como disseste e muito bem, que os tempos de devaneio tinham passado e que o som é mais polido. Mas é um álbum que fica no ouvido e que é bastante consistente.
Concordo contigo, este é sem dúvida um grande álbum ! Também gostei imenso do Californication, mas o Blood Sugar Sex Magic é sem dúvida "aquele" ...
E eu já o tenho :D
Um grande algum, e uma óptima review. Já tínhamos falado antes sobre o álbum, e concordo contigo, é o meu preferido dos Peppers.
Espero que este blog não morra, e que continues a ouvir boa musica.
Abraços
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