Hoje, falo-vos daquela que considero ser uma das melhores bandas de hard/rock actual, falo nada mais, nada menos do que os Velvet Revolver. E quem são os Velvet Revolver, como surgiram eles?
Os Velvet Revolver, surgiram com o interesse de Matt Sorum, Duff McKagan, e o tão conhecido Slash, ex-integrantes do grupo Guns N' Roses, que deixaram a banda após problemas com o tão polémico vocalista da banda Axl Rose, em continuarem a tocar juntos, por acharem que a química musical entre eles ainda existia. Após Izzy Straddlin, ex-guitarra ritmo dos Guns N' Roses ter rejeitado entrar para o grupo, a banda arranjou de imediato um substituo, Dave Kushner, Ex-Wasted Youth.
No entanto, faltava um vocalista (nunca ninguém se vai esquecer daquela mísera actuação da Paradise City...), e a VH1 organizou um concurso para se arranjar um vocalista para a banda. A solução acabou por ser Scott Weilland, ex-vocalista dos Stone Temple Pilots, que deixara a banda pouco tempo depois.
Em 2004 surgiu Contraband, o primeiro álbum da banda, e é desse mesmo álbum que hoje falo.

Apesar de muitos considerarem os Velvet Revolver como os "Guns N' Roses sem Axl Rose", (generalização que, curiosamente ocorre com várias bandas actuais, por exemplo os Audioslave), os Velvet Revolver têm um som mais pesado, que resulta da mistura de influências Hard Rock e mesmo de Blues/Rock, vindas dos ex Guns N' Roses (Slash, Matt Sorum e Duff McKagan), Punk Rock (Dave Kushner) e Grunge (Scott Weilland).
“Sucker Train Blues”, é a música que abre este grande álbum. E que melhor música de abertura poderia o álbum ter? A música é espectacular, desde a sua sirene, a um solo espectacular de Slash, apesar de um certo aspecto do qual falerei mais tarde. Uma das melhores do álbum, sem dúvida.
Nota: 9.5/10
E se “Sucker Train Blues” era bastante boa, a faixa que se segue “Do it for the kids”, não lhe fica nada atrás. Igualmente pesada, não tem tantas influências de Guns N’ Roses e de Blues/Rock como a anterior. O som da guitarra de Slash no último refrão está lindo, e escusado será dizer que não falta outro belo solo nesta música.
Nota: 9.5/10
Segue-se “Big Machine”, onde no início podemos ouvir o baixo de Duff a acompanhar Scott Weilland, havendo a entrada das guitarras apenas no refrão, e que refrão este! Fica mesmo na cabeça, especialmente a guitarra do Slash. A música fala da relação do vocalista da banda, Scott Weilland, com os media.
Nota: 8.7/10
De seguida vem “Illegal I Song”, uma música mais agressiva, e quase tão brutal como as outras. Destaque para a bateria de Matt Sorum, que apesar de ter sido mal amado nos Guns N’ Roses, e de nunca ter conseguido adaptar bem o seu estilo à banda, está em grande nos Velvet Revolver (a sua qualidade como baterista nunca foi questionada).
Nota: 8/10
“Spectacle” já é uma música mais abaixo das outras, mas ainda assim, bastante boa, tendo mais influências punk. A voz de Scott não parece adaptar-se tanto a esta música como às outras (parece mesmo ser o Duff a cantar numa certa altura). Ainda assim, tem lugar merecido neste álbum.
Nota: 7.5/10
De seguida vem “Fall to Pieces” o segundo single do álbum. Provavelmente muitos irão discordar comigo, mas eu considero esta música a pior de todo o álbum. Não que seja muito má, tem uma letra razoável que fala da maneira como coisas como as drogas e o álcool dão cabo de uma pessoa, e um solo engraçadito do Slash lá para o final (ainda assim muito abaixo do que ele pode fazer) mas é bastante comercial. Demasiado comercial para meu gosto, visto que se afasta e muito do estilo dos Velvet, além das versões ao vivo serem bastante melhores do que esta versão de estúdio, o riff inicial parece ter sido tirado da demo da “Yesterdays” do Use Your Illusion II, dos Guns N’ Roses.
Nota: 6/10
Com “Headspace” voltamos às músicas pesadas, e digo sem problemas que esta música é superior às duas anteriores. No entanto, não é agora que se vai dar o “boom” do álbum. É uma boa música, que faz bem a transição para aquela que eu considero ser a melhor parte do álbum.
Nota: 8/10
Com “Superhuman”, há uma explosão enorme. O fantástico riff inicial de Slash, e uns back vocals bem conseguidos são alguns dos pormenores que fazem desta uma das melhores músicas do álbum. Grande música mesmo.
Nota: 9/10
Se o riff de “Superhuman” era espectacular, o que se poderá dizer deste…”Set me free” foi a primeira coisa que se ouviu da banda, visto que integrou a banda sonora do filme Hulk. A música segue o mesmo estilo que a anterior, mais num ritmo mais rápido. Destaque para a voz de Scott nos versos, que está bastante diferente do que no resto do álbum, e varia bastante durante a música. Outra grande música, com um refrão que fica na cabeça.
Nota: 9.5/10
O contraste de “Set Me free” com a música que se segue, “You got no right”, é tão bem feito, que eu quando ouvi esta música pela primeira vez pensei que era uma parte mais calma de “Set Me Free”. “You got no right” é a melhor balada do álbum, e deixa “Fall to pieces” a milhas de distância. Slash está novamente em bom plano, com mais um bom solo, e a letra é a consagração de Scott Weilland como grande songwriter que é, e faz grande parte das letras de Axl Rose parecerem letras do Toy. É uma música espectacular, das melhores do álbum, senão mesmo a melhor.
Nota: 10/10
É a vez de outra obra-prima, desta vez “Slither”, que foi o primeiro single do álbum. Mais uma vez, o seguimento entre as musicas é bastante bom. Quem ouvir uma logo a seguir à outra percebe isso. “Slither” é, a par de “You got no right”, uma das melhores músicas do álbum. E que melhor 1º single podia ter escolhido a banda. Um riff simplesmente viciante, uma letra que eu ainda hoje não percebo do que fala, mas que vai bastante bem com a música e fica na cabeça (de alguma coisa com certeza falará). Destaque também para o som do Dave Kushner, que no início da música é espectacular. Depois há sempre o solo do Slash, que é dos melhores que ele fez no Velvet Revolver, usando o wah de uma maneira diferente da que usava nos Guns N' Roses. Penso que não há mais nada a dizer, é uma música magnífica, quer seja em estúdio quer ao vivo, das melhores dos Velvet Revolver. Também não é de espantar que tenha dado à banda um grammy de “Best Hard Rock Performance” em 2005. É a música mais pesada da banda.
Nota: 10/10
Após se atingir o pico do álbum, restam-nos duas músicas, para fechar em grande este álbum.
“Dirty little thing” é uma escolha errada para a “ressaca” de Slither. A música tinha bastante potencial, tem uma boa letra, a criticar a prostituição (“Get away from the life your living”), poderia ser mesmo uma das melhores do álbum, caso não tivesse uma enorme semelhança com… “Sucker Train Blues”, a primeira música do álbum. Isso mesmo “Dirty Little Thing” quase que é um reprise de “Sucker Train Blues” (eu diria mesmo que o riff é uma mistura dos riffs da “Sucker Train Blues” e da “Slither). Não há muito a dizer. Seria uma boa música, não fosse tão parecida com a primeira do álbum.
Nota: 7/10
E o álbum acaba com uma balada. “Loving the Alien” é uma boa música, mas os Velvet Revolver têm melhor. Não é uma “You Got no Right”, mas também não é uma “Fall to Pieces”. É uma música que cumpre, com um solo razoável de Slash, e uma letra igualmente razoável, e que fecha bem este grande álbum.
Nota: 8/10
E chegamos ao fim, deste grande álbum, provavelmente o melhor a ter sido lançado em 2004. No entanto, a produção deixa muito a desejar. Apesar da voz de Scott Weilland estar bem trabalhada durante todo álbum, é dado pouco destaque às guitarras, que estão mal misturadas. Este factor, e a parecença incrível de “Dirty Little Thing” com “Sucker Train Blues” que dá uma sensação de Déja-vu a quem ouve o álbum são os principais defeitos deste álbum, que não deixa de ser bastante bom.
Nota final: 8.5/10
Aqui têm o link para download do álbum: http://rapidshare.com/files/38596831/vrcitg.rar
Lamento informar-vos, para quem se importe ( que eu acredito não ser muita gente, ou mesmo ninguém) vou de férias, e só volto em Setembro, com a segunda parte deste post sobre Velvet Revolver, (no entanto é possível que me dê na cabeça postar antes de ir de férias, o que não deixa de ser muito pouco provável).

Um comentário:
De facto, a produção do Contraband não é muito boa, e fica ainda pior se a compararmos com o trabalho de Brendan O'Brien no Libertad. Mas isso não faz com que o material de qualidade não esteja lá, como é fácil de observar pelos concertos da banda.
Concordo na maior parte das avaliações que fazes das músicas, excepto nos casos da Illegal I Song, claramente uma das piores do álbum, e da Loving The Alien, que talvez merecesse mais. Também prefiro a Sucker Train Blues e a Do It For The Kids à You Got No Right e à Slither, mas isso...
Boa review, em todo o caso.
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